domingo, 8 de setembro de 2013

TRANSITORIEDADE


TRANSITORIEDADE

Quando aprendemos a viver a vida a partir da compreensão da transitoriedade humana, conseguimos dar conta da nossa brevidade, agimos sem desperdiçá-la e passamos a valorizar aquilo que realmente importa. Dessa forma, permitimos que atitudes relevantes ganhem espaço em nossas prioridades, onde passamos a privilegiar o "ser" em relação ao "ter", o altruísmo em relação ao egoísmo e a simplicidade em relação a vaidade narcisista.

A experiência de viver assim não é fácil, mas certamente proporcionará novos encontros, novos sabores e a reformulação dos nossos laços afetivos com as pessoas e com o mundo que nos cerca.

Quando um dia, em algum ponto da nossa jornada existencial, ao olharmos para trás, perceberemos o quanto fomos assertivos e generosos ao tomarmos a decisão de presentearmos a vida das pessoas e o mundo com o melhor que há em nós.

(Pedro Leite)

sábado, 7 de setembro de 2013

O AMOR TERAPÊUTICO


O AMOR TERAPÊUTICO

"O Amor é a única maneira de captar outro ser humano no íntimo da sua personalidade. Ninguém consegue ter consciência plena da essência última de outro ser humano sem amá-lo. Por seu amor a pessoa se torna capaz de ver os traços característicos e as feições essenciais do outro e mais ainda, ela vê o que está potencialmente contido nele, aquilo que ainda não está, mas deveria ser realizado […] conscientizando-a do que pode ser e o que pode vir a ser, aquele que ama faz com que essas potencialidades venham a se realizar".

(Victor Frankl)


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Nesta postagem vamos fazer uma reflexão sobre a manifestação amorosa do terapeuta pelo cliente, a que é denominada "amor terapêutico".

Nesse tipo de relação o amor pode acontecer, e se manifesta com características diferenciadas. Diferente do amor por si mesmo, amor fraterno, amor materno, amor erótico e amor romântico ou paixão.

O amor terapêutico envolve aceitar o cliente tal como ele é, perceber as suas necessidades, sentimentos, crenças, valores, conflitos e dificuldades entre outras coisas.

Na relação terapêutica amorosa, o terapeuta se permite discordar do cliente, frustrar manipulações e jogos de controle, estabelecer limites entre terapeuta e cliente, oferecer suporte para que o cliente experimente as próprias limitações e dificuldades, responsabilizando-se por elas.

O terapeuta que ama seu cliente precisa ser muitas vezes firme e forte para evitar manipulações e ajuda-lo a assumir responsabilidades. Isso não quer dizer que ele deva ser rude, agressivo ou frio, o que não seria uma atitude amorosa. A essência do Amor é o relacionamento.

A relação terapêutica possui conhecidas características que a diferenciam das demais relações humanas, extensamente estudadas nas teorias da prática psicoterápica. O amor terapêutico é mais um dos aspectos que distinguem essa forma de encontro de tantas outras.

O amor terapêutico pode se manifestar não só na relação psicoterapeuta-cliente; um médico, um fisioterapeuta, um fonoaudiólogo, um terapeuta ocupacional também podem manifestar-se amorosos na relação com seus pacientes; certamente, suas atitudes amorosas facilitarão o processo de cura, de recuperação ou de reabilitação dos mesmos, uma vez que a saúde é muito mais do que a ausência de doenças, mas um estado de integração do indivíduo.

É através do estado de ser amoroso que o terapeuta cria condições para que o cliente possa ouvir, ver compreender, aceitar e amar a si mesmo. O amor só pode ser recebido pelo cliente se ele próprio estiver em estado amoroso; o amor do terapeuta cria a oportunidade para que o potencial de amor do cliente possa ser ativado por ele mesmo.

As atitudes amorosas do terapeuta favorecem o contato do cliente com o "desamor" próprio, uma vez que através da relação terapêutica ele poderá perceber que, apesar de ser aceito, valorizado, respeitado e amado, ainda assim ele rejeita, desvaloriza, desrespeita e deixa de amar a si mesmo.

O cliente que não ama a si mesmo envolve-se em relações não amorosas, pois nesse caso relacionar-se com o outro amoroso significa perceber-se e depar-se com as próprias dificuldades. O indivíduo amoroso não estabelece jogos manipulativos, nem cristaliza-se no desempenho de papéis rígidos, ou absorve projeções advindas do parceiro. Relacionar-se com uma pessoas verdadeiramente amorosa é como estar diante de um espelho e ver refletida a própria imagem, seja ela bela ou defeituosa.

E este é um dos aspectos essenciais da relação terapêutica: o terapeuta amoroso confirma as necessidades do cliente e o eceita tal como é, mas sem contracontrolar ou manipular, sem seduzir sem deixar-se seduzir, sem incorporar projeções ou buscar onipotentemente satisfazer o cliente e "salvá-lo" das próprias dificuldades. Ele se oferece como instrumento para que o cliente experimente com segurança todo sofrimento auto-imposto, e a partir da constatação profunda de seus modos de existir, possa confirmar-se e compreender-se para ser capaz de amar a si mesmo.

O terapêuta amoroso não só funciona como "espelho" dos aspectos conflitantes ou destrutivos do cliente. Obviamente, reflete suas capacidades e potencialidades, como também com a própria beleza, seus aspectos construtivos, belos e únicos, sua singularidade. O cliente que não se vê, não deixa apenas de deparar-se com os medos e as dificuldades, como também com a própria beleza, seus aspectos positivos e criativos, suas capacidades e habilidades, enfim, com a própria individualidade.

A atitude amorosa do terapeuta permite que o cliente passe a questionar o "mito do amor condicional", ou seja, as crenças, os valores e as atitudes, nos relacionamentos afetivos, baseadas na crença maior de que o amor só pode ser vivido sob certas condições. Possibilita também que o cliente experimente um nova maneira de relacionar-se, na qual a aceitação, o respeito, a consideração, os limites, a responsabilidade, o compartilhar e o amor estão presentes.

Assim, ao oferecer um clima de segurança, o terapeuta possibilita ao cliente experimentar a vulnerabilidade, as necessidades, os sentimentos próprios e também, o amor. O cliente pode ser aceito, respeitado, valorizado e amado e, progressivamente, recuperar a aceitação de si mesmo, desemvolvendo sua capacidade para amar.


SOBRE O PODER DO AMOR NA TERAPIA


SOBRE O PODER DO AMOR NA TERAPIA

O ser humano permanece um mistério, assim como um encontro entre duas pessoas é um mistério ainda maior, o mistério do Amor. E cada novo encontro me faz relembrar isso de alguma maneira.

Sem dúvida, não se pode ignorar o jogo das projeções e a importância da transferência e da contratransferência, mas existe algo maior nesses encontros [...] 

O amor é o evocador, é o princípio de todo trabalho terapêutico, sem ele nada acontece na vida. É ele que favorece a abertura, o diálogo, a vida, a verdade [...]

O que impressiona e me assusta, é quando nós, terapeutas, temos medo do amor. Até aprendemos técnicas para nos protegermos. No entanto só o amor pode curar o amor ferido.

(Leon Bonaventure)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

QUANDO DEVO BUSCAR AJUDA DE UM(A) PSICÓLOGO(A)?




QUANDO DEVO BUSCAR AJUDA DE UM(A) PSICÓLOGO(A)?

- Quando estiver enfrentando dificuldades nos relacionamentos: profissional, familiar, amoroso e amizades;

- Quando necessitar de autoconhecimento ou estiver passando por crises existenciais;

- Quando estiver com dificuldades de lidar com a educação dos filhos, com o envelhecimento, com saída dos filhos de casa, dentre outros;

- Quando estiver com dificuldades escolares ou distúrbios de aprendizagem como: hiperatividade, deficit de atenção, dislexia e outros;

- Quando houver passado por situações de riscos ou violência como: sequestros, assaltos, abusos, estupros ou outras situações traumáticas;

- Quando há suspeita ou diagnóstico de psicopatologias como: depressão, fobias, medos, ansiedade, transtornos alimentares (bulimia, anorexia, obesidade), síndrome do pânico, transtorno Obsessivo compulsivo, manias, tiques, e ouras questões neurológicas ou psiquiátricas;

- Quando demonstrar comportamentos persistentes como: sentimento de inferioridade, tristeza e desânimo, agressividade, insônia, insegurança, irritabilidade, angústia provocada por perdas, frustração, ciúmes excessivo, sintomas físicos sem justificativa aparente (psicossomáticos).

Pedro Leite Machado
Psicólogo Especialista em Gestalt-terapia Clínica
https://www.facebook.com/psi.pedroleite

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

APATIA PERSISTENTE PODE SER DOENÇA E NECESSITA DE TRATAMENTO



A apatia pode estar camuflando uma doença conhecida como Distimia, que é uma forma crônica de depressão, com sintomas mais leves. Diferente da "depressão maior" que paralisa e pode levar até a morte, a pessoa com distimia continua tocando a vida, sempre com um incômodo que a impede de desfrutá-la plenamente. O indivíduo com distimia não consegue demonstrar entusiasmo com nada, é retraído e enxerga quase sempre o lado negativo das coisas.

Geralmente o distímico não enxerga a sua condição, pois com o tempo incorporou esses traços negativos à sua personalidade e passou a achar que a vida é mesmo uma chatice. Por isso, são muito resistentes à ideia de que estão adoecidos.

A distimia é uma doença e não deve ser subestimada, pois quem a possui, pode desenvolver quadros depressivos graves. Devido seu desconhecimento, quem possui distimia costuma procurar ajuda só quando ela já evoluiu para um quadro depressivo grave.

A apatia e o mau humor patológico (distimia) podem ser tratados com a ajuda de medicamento antidepressivo prescrito por um Psiquiatra, associado à Psicoterapia. Enquanto o medicamento atua corrigindo o desequilíbrio químico dos neurotransmissores responsáveis pelo humor, a Psicoterapia leva o indivíduo a vivenciar suas aflições, ajuda a reconfigurar sua vida pelo resgate da sua autonomia, possibilitando assim a experiência de sentir prazer novamente.

Pedro Leite Machado
Psicólogo Especialista em Gestalt-terapia Clínica
https://www.facebook.com/psi.pedroleite

COMO VOCÊ ESTÁ LIDANDO COM O PERDÃO?



COMO VOCÊ ESTÁ LIDANDO COM O PERDÃO?

Apesar do termo "perdão" quase sempre levar as pessoas a relacioná-lo ao aspecto religioso, o perdão transcende os limites da religiosidade e se constitui num dos mais poderosos facilitadores dos relacionamentos humanos.

A eficácia do perdão está comprovada cientificamente, sendo um dos meios mais eficazes para sarar relacionamentos. Experiências sugerem que o perdão tem um papel importante no que diz respeito a redução da depressão e da ansiedade, assim como também foi ligado a aumentos de auto-estima. No ambiente onde ocorrem experiências de perdão, as pessoas sentem-se mais leves, livres de culpa, sem estresse e desequilíbrio emocional, pois o ato de perdoar produz benefícios, para a saúde física e psicológica.

Perdoar é como liberar sentimentos ruins que estão armazenados em nosso íntimo, contaminando nossa vida. Quando guardamos e congelamos nossas amarguras, sem nos permitir resolver nossas pendências, essas continuarão como feridas abertas, nos tornando potenciais candidatos a somatização, devido cargas emocionais sem solução.

Sei que perdoar não é um processo simples, pois não é fácil lidar com o poder da ofensa ou da perda. Mas a maneira correta de lidar com essas questões amargas deve ser esta: Devemos zerar a nossa conta negativa a partir do exercício do perdão, fazendo constantemente uma faxina emocional e recomeçar uma nova caminhada junto das pessoas com as quais nos desentendemos.

A experiência de perdoar tem mostrado que sempre colhemos bons frutos pelo seu exercício em nossa vida. O perdão também vai proporcionar, a partir do retorno da comunicação, um ambiente mais harmonioso, prazeroso, se configurando num espaço de produção de vida.

Aproveite então para iniciar esse processo ainda hoje em sua vida!

(Pedro Leite)

PERSISTÊNCIA OU DESISTÊNCIA?

Desistência é a opção de muitas pessoas devido a incômoda realidade que os fracassos e perdas lhes impõem, fazendo-os parar ou retroceder. Todavia, dentro de cada um de nós existe pelo menos, um resquício de esperança, que é capaz de nos transportar para a dimensão das possibilidades, nos fazendo acreditar numa iminente virada e o alcance do estado de satisfação.

Por isso, mesmo diante das adversidades, aprenda a ser persistente e viver com uma boa dose de fé para alcançar dias melhores.

Pedro Leite